Semana passada uma loja foi pega usufruindo do trabalho escravo. Os trabalhadores moravam nas chamadas "oficinas", trabalhavam o dia inteiro e recebiam R$ 2,00 por peça, o dono da oficina recebia R$ 7,00 e repassava aos trabalhadores por essa miseria, dividido em todos os que a montaram, e na loja, era simplesmente vendida por R$ 139,00 (caso eles estragassem a peça, tivesse algum defeito, teriam que pagar o preço vendido na loja).
Nessa oficina (ilegal) foram encontrados cadernos com anotaçoes dos trabalhadores referentes a "passagem" e a "documentos", além de "vales" que faziam com que o empregado aumentasse ainda mais a dívida. Os papeis mostram que alguns empregados recebiam entre R$274,00 e R$460,00 por mes.
Na oficina foram encontrados 16 bolivianos sendo um deles um adolescente de 14 anos que nao queriam sair de la pois nao tinham para onde ir! Os 16 tinham que pedir permissao para sair da oficina e só era concedida SE fosse caso de urgencia, como ir ao medico e etc.
A intermediária na contratação das duas oficinas em que houve libertações é a AHA (Industria e Comercio de Roupas Ltda). No período de abril a junho deste ano, a produção de peças para a Zara chegou a 91% do total. A SRTE/SP (Ministerio do Trabalho e Emprego) descobriu que existem 33 oficinas sem constituição formal, com empregados sem registros e sem recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) contratadas pela AHA para a executar a atividade de costura.
Por meio de analises de documentos da empresa AHA foi constatado que foram fabricadas mais de 46 mil peças sem fiscalizaçao para a loja.
Durante o periodo de fiscalizaçao, a AHA foi a empresa que mais obteve faturamentos e o numero de peças faturadas para a marca ao ponto de se tornar o maior fornecedora da loja na area de tecidos planos. O que chamou muito a atençao da fiscalizaçao, foi que o numero de contratados diretamente da AHA baixou de 100 funcionarios para 20 em um tempo minimo.
“O nível de dependência econômica deste fornecedor para com a Zara ficou claro para a fiscalização. A empresa funciona, na prática, como extensão de logística de sua cliente preponderante, Zara Brasil Ltda.”, sustentam os auditores fiscais do trabalho que estiveram à frente da investigação.
"A Repórter Brasil entrou em contato com a AHA, que preferiu não responder especificamente ao conjunto de perguntas enviadas. A advogada da fornecedora da Zara enviou apenas uma nota escrita em que declarou que a emrpesa “jamais teve conhecimento da utilização, pelas oficinas contratadas, de mão de obra escrava; jamais teve qualquer participação na contratação dos funcionários de referidas oficinas; e, assim que tomou conhecimento de irregularidades constatadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, imediatamente adotou todas as providências necessárias à regularização”.
"Procurada pelo site de VEJA, a Inditex (dona da loja) divulgou uma nota na qual afirma que o flagrande de trabalho escravo na oficina "representa uma grave infração de acordo com o Código de Conduta para Fabricantes e Oficinas Externas da Inditex" e que a empresa, ao tomar conhecimento dos fatos, exigiu que o fornecedor responsável pela terceirização não autorizada regularizasse a situação dos trabalhadores imediatamente". Segundo a nota, "a Inditex, em parceria com o MTE do Brasil, vai reforçar a fiscalização do sistema de produção tanto deste fornecedor como de todos os outros no país, para garantir que casos como este não se repitam".
Os trabalhadores foram liberados alguns aceitaram tranquilamente mas outros nao, pelo fato de nao terem para onde ir e pelo fato de ainda sim, acreditarem em seus "patroes".
É sempre assim, quando sao descobertos, nao sabiam de nada, nao tiveram participaçao e nao deixarao que aconteça outra vez...
Essa foi apenas uma loja que foi pega com trabalho escravo, tenho a certeza de que pelo menos cada um de nos temos uma peça de roupa dentro do armario que foi fabricada com essas condiçoes, essa loja, pode nao ser a unica!
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